sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Os donos do emprego

“Quem decide quem vai contratar é o empresário; mas já tem cidade exigindo
como contrapartida a reserva de vagas para os trabalhadores locais”


Conforme a cidade vai crescendo e atraindo mais empresas aumenta a oferta de empregos no comércio de Itanhaém. Isto se verifica nos últimos cinco anos, com crescimento significativo do número de estabelecimentos comerciais, em todos os segmentos. Por enquanto, a construção civil ainda aparece como líder em qualquer ranking de empregos no Município, confirmando uma histórica tradição, desde o início da urbanização, lá pelos anos 50.

O surgimento de novas empresas, junto com os investimentos públicos, cria uma demanda por mão de obra. E é neste contexto que algumas cidades já estão adotando a prática da contrapartida. No caso daquelas que oferecem atrativos fiscais, a exigência é uma reserva de vagas para quem efetivamente morar no Município há pelo menos dois anos. É uma forma de garantir a oportunidade aos residentes e reduzir a migração desenfreada.

Em alguns casos, verificou-se que foram assinados termos de cooperação para a capacitação dos trabalhadores locais, antes da empresa ser inaugurada. No caso dos trabalhadores locais não conseguirem passar nas provas e testes, aí então estas vagas foram preenchidas pelos trabalhadores migrantes.

A reserva de cotas é importante e precisa mesmo ser inserida na pauta dos políticos locais. Se há emprego novo surgindo na cidade, que esta vaga seja preenchida por um trabalhador local, do contrário, de nada valerá este período de bonança que a cidade atravessa.

Em recentes entrevistas, tanto o prefeito quanto o vice-prefeito de Itanhaém externaram a preocupação com a qualificação e a necessidade de parcerias para implantar os cursos de capacitação. Não resta dúvida de que a cidade precisa de mão de obra especializada. Por isso é importante elevar a qualificação dos trabalhadores de Itanhaém.

A cidade, historicamente, sempre teve esta lacuna no campo da formação universitária. A distância das faculdades de Santos era um desafio que poucos se atreveram a enfrentar. É de se esperar, portanto, que a boa fase favoreça também o surgimento de escolas técnicas e profissionalizantes, como também a vinda de faculdades com os cursos tradicionais e seculares preferidos dos jovens estudantes.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Segurança e praia limpa

“O calor dos últimos finais de semana foi um prenúncio do que poderá ser o próximo verão: muitos visitantes, ainda que a maioria de poder aquisitivo aquém do desejado”

Faz calor em Itanhaém. Essa é a melhor frase que o comerciante pode ouvir. Sol e tempo bom fizeram parte dos últimos finais de semana nas praias do litoral. Com feriados de grande movimento de visitantes, o comércio sorriu a toa.

Nesta questão, vale um parêntese: ter a cidade cheia de visitantes não significa necessariamente ter uma cidade cheia de turistas. Fica claro que cada vez mais Itanhaém é destino final de visitantes das classes C e D. E isso é resultado do que é ofertado atualmente pelo mercado imobiliário: casas geminadas, ideal para os operários do ABC que sonham com uma casinha na praia.

Só que receber visitantes das classes C e D não é demérito para cidade alguma. De algum modo, dão colorido e movimento às praias, praças e ao comércio. Independente da condição financeira do visitante, compete ao poder público duas tarefas básicas já com vistas ao próximo verão. A preocupação com a segurança e limpeza das praias deve permear todo e qualquer projeto de verão.

Muitas vezes há uma excessiva preocupação com shows e eventos de grande porte. Muitas vezes tratamos os visitantes como “capiaus” ou caipiras, que nunca puderam assistir a shows de artistas renomados. Esquecemos que o público que freqüenta Itanhaém vem do ABC e da Grande São Paulo, ricos centros culturais com shows em cada esquina nos finais de semana, sem contar os eventos esportivos e sociais que fervilham nessas regiões.

Em função disso, o FATOS sempre defendeu que os recursos da Prefeitura sejam aplicados nas duas situações básicas já citadas acima e que merecem ser repetidas: segurança e praia limpa. As praias, como já foi dito, são nosso maior patrimônio. Apesar de que em Itanhaém elas são atrativas apenas durante o dia, ao contrário de Santos, por exemplo, com sua orla totalmente iluminada. Isso atrai visitantes de dia e de noite. Claro que a limpeza das praias é obrigatória. O resto deixamos com o sol.

Outra situação que precisa ser atendida é a segurança. Não dá pra ficar apenas no aumento do efetivo policial que se torna realidade no verão. Cabe uma contratação emergencial de dezenas de vigias de praia, jovens que circulariam de olho em situações que, se forem suspeitas, devem ser comunicadas de imediato ao número 190. O que sabemos é que se o visitante se sentir seguro, a vontade nas ruas, praias e em sua casa - na hora que relaxa num churrasco entre amigos - certamente ele voltará com mais freqüência. É uma receita básica, simples e funcional.


* André Caldas é editor do jornal Fatos

terça-feira, 26 de outubro de 2010

HÁ 13 ANOS

• Circulava o Fatos n. 63, em 01 de novembro de 1997, trazendo notícias, informações e prestação de serviços. Algumas das principais manchetes daquela edição:
- “Inscrições para concurso começam na segunda-feira”
- “Prossegue a rebelião na cadeia de Itanhaém”
- “Projeto Verão Melhor deve ser abandonado”
- “Prefeitura e ACAI querem incentivar a agricultura natural”
- “Correios têm novos modelos de cartões de Natal”
- “Departamento de Cultura sonha com criação do Museu de Itanhaém”
- “Editorial enfoca a crise na Câmara, por conta da disputa pela presidência, entre os grupos de Luiz Barbosa e Alícia”
- “Em artigos na página 2, a cronista Zillah Murgel Branco fala sobre as diferenças culturais dentro de uma mesma população, enquanto o vereador Dr. Alder fala sobre o projeto Mutirão nos Bairros”
- “Prefeitura terá que retirar lombadas”
- “Obras da Sabesp são alvo de novos protestos de comerciantes da Vila São Paulo”
- “Creci recomenda precaução na compra de imóvel usado”
- “Limpar o nome no SPC se torna menos complicado”
- “OAB firma convênio para atender famílias carentes”
- “Em Mongaguá, tudo pronto para a Festa da Picanha na Banana”
- “Lions Clube convida para bingo beneficente em prol do Lar Espírita José de Anchieta”
- “CD É o Tchan do Brasil bate recorde de vendas nas lojas”

ESPORTES
- “Na coluna Sequência Radical, Morcego fala sobre o novo contrato de patrocínio de Wagner Pupo, com a Quik Silver”
- “A Agenda Esportiva do fim de semana traz a semifinal do Campeonato de Futebol Feminino, sábado, às 15h, no Campão”
- “Na coluna Resenha Esportiva, Waldomiro Martinez comenta os trabalhos de sondagem do terreno do Campão, para a construção de arquibancadas”

sábado, 23 de outubro de 2010

Coluna Política ANDRÉ CALDAS – 23 de outubro de 2010

2012 começou muito antes
A disputa eleitoral de 2012 começou cedo em Itanhaém. Bem cedo. A julgar pelas propostas financeiras que já estão sendo apresentadas aqui e ali, a campanha promete ser cara.
• Cara e problemática, dada a raiva e o ódio mútuo que nutrem hoje os líderes da oposição e situação.

Governo Alckmin
A luta por cargos no Governo Alckmin já está gerando embates violentos entre as facções tucanas. É como se dizia antigamente lá no Gaivota: “farinha-pouca-meu-pirão-primeiro.

Dois caminhos
• Alguns eleitores do deputado Paulo Alexandre Barbosa acham que ele aceitará o convite e assumirá a secretaria estadual de Educação. Outros, porém, acham que Paulinho vai mesmo é se preparar para a disputa da Prefeitura de Santos em 2012.
• Já o também recordista de votos, Bruno Covas, começa a pavimentar seu sonho de se tornar prefeito de São Paulo.

Calçadão
Ali no Calçadão, sextas e sábados à noite, a coisa está feia.
• Ocorrências de vandalismo, brigas e tentativas de furto foram registradas por comerciantes na última reunião do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg).
• Presente à reunião, o tenente PM Emerson Sobral afirmou que as providências já estão sendo tomadas para acabar com a bagunça.

Um pra lá, dois pra cá
As conversas ainda são preliminares.
• Mas está em curso uma troca de vereadores entre o PSDB e o PTB para o próximo ano.

Gente
A ausência de mão de obra afeta o comércio local e até a esfera política. É que já faltam bons profissionais para preencherem os cargos técnicos de relevância nas assessorias dos políticos itanhaenses.

Probabilidade alta
Neste momento, o vereador João Rossmann é o nome mais cotado para a vice na chapa governista em 2012.

Esfihas e quibes
Os empresários envolvidos na construção de uma filial do Habib´s em Itanhaém preferem não informar datas ou prazos para a inauguração.
• Mas a construção do prédio vai começar dentro de alguns dias. Isso porque a área acaba de ser desocupada pelo parquinho Motta Diversões.
• O curioso é que muita gente ainda confunde o terreno que vai abrigar o Habib´s. Acham que será num dos galpões que estão sendo erguidos ao lado do Santander.

Enxuga grama
Começou mais um campeonato nas manhãs de domingo no Clube Náutico.
• Os jogadores (os fominhas) chegam bem cedo: 7h30.

Pé na tábua
A constatação é do IBGE.
• A abundância de empregos no Nordeste está provocando uma onda inversa à migração. O povo está indo embora de volta ao sertão.
• Fica a pergunta: quem ocupará as crescentes vagas na construção civil aqui na região?

Vontade
Como tudo no PT de Itanhaém é decidido no voto (afinal, tem diretório municipal), já começou a disputa interna entre a corrente que deseja candidatura própria em 2012 e outra que busca uma composição das oposições.

Faltam respostas
Já se passaram 50 dias do assassinato da fonoaudióloga Paula Vegas sem que fosse apresentado o autor - ou autores - deste bárbaro crime que chocou Itanhaém no último dia 27 de agosto.

Exageros
É importante, na próxima eleição, que a Justiça Eleitoral, discipline a colocação de cavaletes, de modo a não atrapalhar os pedestres.
• Também os carros de som (pelo amor de Deus!) precisam ser notificados do volume máximo permitido.

Dedo no olho, dentada...
Quem conhece e já viveu acirradas disputas garante: a campanha pela Prefeitura em 2012 pode ocasionar uma guerra política sem precedentes.

Fortalecido nas urnas
Numa comparação popular, Hugo Di Lallo está na política local como o artilheiro do campeonato cujo time não conquistou o título.
• Isso enquanto a candidatura de Luciano Batista não for liberada pelo TSE. Aí a alegria será completa.
• Porque liderar uma campanha de 1.523 votos para deputado não é pra qualquer um.

Frase
“Respeito aos partidos e aos vereadores. Essa é a forma como conduzi meu mandato até agora e é exatamente assim, com democracia, que presidirei a Câmara Municipal”.
MARCO AURÉLIO, presidente eleito da Câmara de Itanhaém, cuja posse será no dia 1 de janeiro de 2011

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Nova realidade na Cidade

Diferente de outras épocas, a proximidade do verão, desta vez, parece não importar tanto para os comerciantes de Itanhaém

Por muito tempo, os meses que antecedem a chegada do verão representavam motivo de euforia e expectativa para o comerciante local. A proximidade da alta estação e com ela a chegada de 300 mil veranistas enchia o lojista de esperança.
Contudo, nos últimos dias, é clara a constatação de que se o comerciante não desdenha da alta temporada, tampouco se mostra eufórico diante da chegada dos meses de calor e movimento intenso nas praias. Já estamos em outubro e... e daí?

A explicação mais racional parece ser o bom momento econômico que a Cidade atravessa. Faz tempo que o desemprego saiu da agenda diária das famílias. Muito pelo contrário. Falta gente para trabalhar nas lojas, restaurantes e principalmente na construção civil, cujos empresários precisam importar trabalhadores.
Com emprego garantido, o povo itanhaense está indo às compras. As vendas por conta do Dia das Crianças foram 13% maiores que no ano passado aqui na região.
De certa maneira, parece óbvio que o empresariado local está descobrindo a força consumidora da população fixa, em detrimento da população flutuante. Os próprios feriados prolongados nem são mais motivos de expectativa. Vem e vão naturalmente.

Claro que estamos falando para os comerciantes bem estabelecidos e que sabem trabalhar. Existe, sim, uma parcela que continua nos tempos das vacas magras, espantando moscas e falando mal do sistema. Quando o empresariado condena a ausência de mão de obra qualificada sabe, ele próprio, também de sua carência gerencial, ainda que existam atualmente na Cidade oportunidades variadas de cursos e palestras, ora oferecidas pela associação comercial, e uma profusão de escolas de informática, idiomas, faculdades e cursos online a distância.

Sem que as pessoas se dêem conta a economia local está ganhando corpo. A concorrência está ficando mais acirrada porque tem redes varejistas de porte aportando na Cidade. As instituições bancárias, antenadas neste crescimento, estão ampliando a oferta de crédito. Isso, evidente, não se credita a Pedro ou a João. O país cresceu e as cidades também, reforçadas pelas iniciativas bem sucedidas de algumas prefeituras.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O País dos Meus Sonhos



O País dos meus sonhos seria um lugar agradável para viver.
Onde todas as pessoas, independente de credo, raça, ideologia política e condição social, teriam um excelente relacionamento entre si.
No País dos meus sonhos, cada agricultor teria no mínimo um par de bois para puxar o arado.
E ao voltar para casa, encontraria uma família feliz, sem as preocupações da moradia, da fome, da saúde e da educação.
No País dos meus sonhos, todo pobre teria uma casa para morar. Todos teriam o que comer. Os hospitais teriam médicos dedicados e remédios para todos os doentes.
As escolas teriam professores e alunos. Alunos felizes. Professores dedicados.
No País dos meus sonhos as disputas eleitorais terminariam no dia da eleição. A partir daí, todos estariam torcendo pelo sucesso da sua Pátria.
No País dos meus sonhos a tristeza cederia lugar à alegria, o sofrimento cederia lugar à felicidade e o ódio cederia lugar ao amor, porque o amor traria consigo o perdão.
No País dos meus sonhos as leis seriam simples. Mas todas seriam cumpridas.
No País dos meus sonhos, a Constituição Federal teria apenas DOIS artigos:
Artigo 1º - Todo o cidadão que habita este País ficará EXPRESSAMENTE PROIBIDO de fazer para as outras pessoas aquilo que ele não gostaria que as outras pessoas fizessem para si.
Artigo 2º - Todo cidadão FICA AUTORIZADO a fazer para as outras pessoas, tudo aquilo que ele gostaria que as outras pessoas fizessem para si. Revogas as disposições em contrário.
O País dos meus sonhos, um dia vai existir...
E ele será tão feliz, que nem vai precisar de mim.
Não faz mal.
EU PERCO O EMPREGO. MAS NÃO PERCO O SONHO.

Tadeu Comerlatto

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Zwarg pra sempre


Poucos itanhaenses conseguiriam reunir, em um evento em sua homenagem, tantas pessoas como na cerimônia promovida no último sábado para lançar o Instituto Ambiental Ernesto Zwarg. Foi bonito de ver. Independente de bandeiras partidárias e antigas rivalidades, todos estavam lá com um motivo nobre, que era relembrar a trajetória do líder ambientalista, cujo currículo e façanhas ultrapassam as fronteiras nacionais. Afinal de contas, Ernesto Zwarg é cultuado e venerado há muito tempo entre os verdes da Europa.

Acredita-se que por conta da capacidade e competência daqueles eleitos para administrar o instituto, as ações alcançarão o objetivo estatutário em muito pouco tempo. O instituto trabalhará na eternização da memória de Zwarg com ações práticas de conscientização, preservação e a busca por modelo de vida sustentável para os itanhaenses, sem agredir ou ferir a balneabilidade de uma das mais agradáveis cidades brasileiras para se viver. Nas palavras daqueles que discursaram em homenagem a Zwarg, Itanhaém “só é o que é hoje graças a disposição de Zwarg de defender a Cidade das agressões ambientais”.

Em sua vida, não foram raras as vezes em que subiu ou se amarrou em árvores para evitar sua derrubada e assim, simbolizar que a Cidade não venderia sua alma em detrimento do progresso representado pelos prédios, edifícios e grandes empreendimentos imobiliários.

Suas ações em favor da preservação do clima hospitaleiro e balneário de Itanhaém permitiram que o Município chegasse até os dias atuais protegido da muralha de prédios que vemos em cidades vizinhas, em especial Praia Grande e Santos (os cientistas já comprovaram que os prédios da orla de Santos são os responsáveis pela sensação de estar dentro de uma estufa notada pelos santistas da região central). Isso porque a barreira de prédios impede a entrada da agradável brisa marítima.

Não se defende aqui um embate entre os conservacionistas e progressistas. Que a Cidade precisa crescer (e cresce mesmo que à força das amarras) ninguém discute. O perfil de Itanhaém é balneário e isso não se muda de um dia para o outro. Turista quer descer a serra e por os pés na areia da praia. Turista precisa de praia limpa e segurança. Não precisa de semáforos, por exemplo, porque isso já tem aos milhares na Capital.

Em sua vida de ambientalista Zwarg deixou um legado de coragem e determinação, buscando transmitir às futuras gerações o ímpeto desafiador ao sistema econômico. Isso foi lembrado por todos que compareceram ao lançamento do instituto que leva seu nome.

Que a lição de vida do nosso ambientalista seja o esteio de um novo momento na trajetória de Itanhaém.

Viva Zwarg!

O retorno

“No mundo da corrupção, qualquer político sabe que retorno é o retorno de 10% dos recursos viabilizados por um parlamentar para uma cidade”. Essa frase saiu na edição de 26 de setembro, da Folha de SP, e foi pronunciada pelo ex-secretário de Governo de Mato Grosso do Sul, Eleandro Passaia, assessor arrependido que ajudou a Polícia Federal a produzir horas de gravação das roubalheiras dentro daquele governo.
Em outras palavras, o delator quis dizer que se um deputado consegue R$ 900 mil para um município investir em obras de calçamento, a porcentagem de 10% disso, ou 90 mil reais, precisam retornar em dinheiro vivo para as mãos do deputado. Quem faz a “devolução” é a empreiteira que “vencer” a licitação. E se a emenda parlamentar sair num período de pré-campanha, ótimo, o dinheiro ajuda nas despesas eleitorais.
Ninhos de corrupção pululam no Brasil inteiro. Uma campanha custa caro. Cálculos aproximados dão conta que um deputado reeleito agora em outubro pela Baixada Santista, um nome conhecido do eleitorado, gastou arredondados 10 milhões de reais para obter seus mais de 150 mil votos. Assusta, não é mesmo?
Nas contas mais simplórias, ele não recupera isso em quatro anos apenas com seu salário, beirando os 12 mil reais (12.000 x 48 meses = R$ 576.000,00).
As campanhas políticas são caras porque são astronômicas. Precisam abranger um universo infinito de regiões. Vem daí a necessidade cada vez mais latente do voto distrital, nem que seja misto. Para que o candidato não precise se distanciar muito de sua cidade de origem (Itanhaém, quem sabe, teria seu primeiro deputado residindo na própria cidade. Seria interessante encontrar o deputado no supermercado, na padaria, na banca de jornal, comendo um milho verde no Calçadão).
Agora, voltando ao assunto do “retorno”, não se iluda o nobre leitor de que a corrupção vai acabar tão cedo. É coisa cultural. Ética deve ser aprendida na escola, cedo, em casa.
Dias atrás, chegou pela internet uma dessas mensagens que as pessoas acham bonitas e reenviam aos colegas. Também achei bonita. Falava de um pai e um filho a beira de um lago, onde o garoto acabara de fisgar um belo peixe. Porém, a temporada de pesca só seria aberta no outro dia. A pesca ali, portanto, estava proibida até a meia-noite. Mas não tinha ninguém olhando, um peixe não faria falta ao lago, explicou o garoto. O pai, exemplarmente, olhou firme para o garoto e ordenou que devolvesse o peixe, no que o menino obedeceu.
A ética não precisa de testemunhas.